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Representação da cultura periférica nos Streamings e filmes

  • 4 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Antes da ascensão dos serviços de streaming no Brasil, a disseminação da cultura periférica se dava através de filmes e novelas. Em sua maioria focando na visualização dos cenários mais catastróficos que se dão pela falta de auxílio governamental nos grandes centros. Geralmente relatando a criminalidade precoce com a promessa de alcançar melhores condições de vida e também pela falta de oportunidade.

Por muitos anos a cultura periférica na mídia se definiu pelo crime, tráfico, prostituição, apologia e a mais dura realidade que os moradores enfrentam nesses locais. No fim dos anos 1990 foi lançado Central do Brasil, filme dirigido por Walter Salles, e os papéis principais sendo de Vinícius de Oliveira e Fernanda Montenegro, trabalho que rendeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 1999. Além de todo o mérito em premiações internacionais, o longa também foi responsável por inserir o cinema brasileiro em âmbito mundial. As temáticas abordadas se relacionam com a vivência de jovens na periferia e como acontecia o acesso à educação e cultura pelos mesmos, a transição do Brasil com a diminuição das taxas de analfabetismo, as raízes do país, os povos do Nordeste e Norte que se mudaram para o Sudeste com a esperança de melhores condições de vida, e a miscigenação cultural. Em 2002 foi a vez de Cidade de Deus ser lançado, dirigido por Fernando Meirelles. O filme tem seu enredo baseado na parte mais complicada da periferia, o crescimento do crime organizado e como os jovens são inseridos quase intuitivamente nesse ciclo. Os papéis principais ficaram com Douglas Silva, Alice Braga, Seu Jorge, Matheus Nachtergaele, Darlan Cunha e Michel Gomes. Apesar de abordar as individualidades de cada personagem, as histórias se encontram em certos momentos, alguns decisivos para o andamento do filme. Além desses filmes que retratam as nuances mais complicada da realidade, por muitos anos se pendurou o padrão de marginalização. As pessoas da periferia se tornaram o sinônimo da falta de educação e sempre ter que servir os outros, por conta dessa retratação sem dar visibilidade para outros fatores, sempre enfatizando as dificuldades. Essa estrutura foi se transformando com o decorrer dos anos, atualmente é muito menos comum ver personagens estereotipados exageradamente, mas sim sendo fiel a realidade.

Além da caracterização mais atores que realmente viveram, e alguns ainda vivem, nas periferias começaram a ganhar espaço para fidelizar suas vivências. A representação nas séries ganhou espaço com a original da Netflix, Sintonia, com sua primeira temporada estreando em 2019. Com direção e criação por KondZilla, e com Jottapê, Christian Malheiros e Bruna Mascarenhas interpretando os personagens principais. A história se desenvolve a partir da perspectiva da cada um dos personagens com os acontecimentos na periferia de São Paulo. Como se conectam através da amizade, o funk, tráfico de drogas e religião, e como todo o ambiente influenciou no desenvolvimento. A série mostrou seu diferencial por não estereotipar a periferia, e assim deixando o público absorver novas perspectivas de um ambiente que sempre foi tão massacrado na mídia.

Não é a romantização da vivência, pois a realidade é dura, mas a fidelidade do relato e a valorização das características que envolvem o ambiente. A Prime Video também investiu em 2021 com o lançamento de Dom, série que foi inspirada na história de Pedro Dantas, chefe de quadrilha que agia em condomínios de luxo no Rio de Janeiro. Com direção de Gonzaga, com o elenco composto por Gabriel Leone, Digão Ribeiro, Isabelle Santoni e Ramon Francisco. Em contrapartida com o padrão imposto, a história de Dom se desenvolveu a partir do vício em cocaína, possuía boas condições de vida e passou por muitas internações, sem nenhum sucesso praticamente. O conflito social entre a realidade dele e a do amigo, Lico, que era morador da periferia e não possuía as mesmas oportunidades que Dom. A marginalização não se tornou menos presente, porém com a popularização algumas pessoas acreditam que a vivência periférica se tornou um estilo de vida, esse discurso não é de um todo negativista, porém isso inviabiliza as lutas sociais que envolvem os moradores desses locais, e também em como lutaram e lutam para combater o preconceito viabilizando sua vivência.


Foto de capa: Reprodução/Netflix.

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